Autonomia
A autonomia das mulheres é resultado de contar com a capacidade de tomar livremente decisões que afetam suas vidas em condições de igualdade. Para alcançar a autonomia são necessárias, entre outras condições, uma vida livre de violência, o exercício dos direitos sexuais e reprodutivos, a plena participação na tomada de decisões em diversos âmbitos da vida pública e política e o acesso à renda, propriedade e tempo, com base em uma cultura livre de padrões patriarcais e de discriminação.
Para alcançar a igualdade de gênero e a autonomia das mulheres é necessário superar os nós estruturais da desigualdade: I) Desigualdade socioeconômica e persistência da pobreza em um contexto de crescimento excludente; II) Padrões culturais patriarcais, discriminatórios e violentos e predominância da cultura do privilégio; III) Divisão sexual do trabalho e injusta organização social do cuidado; IV) Concentração de poder e relações hierárquicas no âmbito público. No Observatório de Igualdade de Gênero da América Latina e do Caribe é possível acompanhar a situação das mulheres na região por meio de dados e estatísticas que evidenciam estes nós.
O Observatório aborda três dimensões da autonomia das mulheres: autonomia econômica, física e na tomada de decisões. Estas três dimensões são interdependentes e requerem uma interpretação com abordagem interseccional, intercultural, de ciclo de vida e com base nos direitos humanos. Os fenômenos de desigualdade de gênero precisam ser analisados a partir de uma perspectiva interrelacional, a fim de dar um salto qualitativo na compreensão dos diversos mecanismos que se entrecruzam e geram ou potencializam a desigualdade entre homens e mulheres. As políticas públicas, na mesma linha, exigem articular políticas sobre tempo, recursos, subsídios e serviços em nível nacional e no território.
As inter-relações entre as autonomias refletem a integralidade dos processos de transformação necessários para alcançar a igualdade substantiva e a plena participação das mulheres, adolescentes e meninas em sua diversidade, para avançar em direção à padrões de desenvolvimento sustentável e à sustentabilidade da vida, que tornem realidade a sociedade do cuidado.